PRUDÊNCIA É UMA QUIMERA?
DOI:
https://doi.org/10.59804/rdb.2025.v8.572Palavras-chave:
autenticidade, intervenção, reformaResumo
Este artigo propõe a metáfora da quimera para discutir a autenticidade em arquitetura. Partindo do mito da criatura híbrida formada por partes inconciliáveis, a imagem da quimera é transportada para os edifícios, compreendidos como estruturas continuamente modificadas pelo tempo, pelo uso e por intervenções sucessivas. Propõe-se o conceito de edifício-quimera, em que a autenticidade não se relaciona com uma origem única, mas com a coexistência de diferentes partes em um mesmo corpo. O texto percorre os principais debates teóricos em torno do conceito de autenticidade, desde a Carta de Veneza (1964), que relacionava a autenticidade à verdade material e à permanência da imagem, até a Conferência de Nara (1994) e a Carta de Brasília (1995), que ampliaram a compreensão para incluir valores simbólicos, culturais e intangíveis. A intervenção do escritório Andrade Morettin no Edifício Prudência, projetado por Rino Levi, serve como estudo de caso para exemplificar o conceito de edifício-quimera. A conclusão aceita que o conceito de autenticidade pode não estar relacionado unicamente à aparência física da arquitetura, entendendo que o edifício-quimera pode ser, também, patrimônio a ser preservado.
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