CAMINHOS CRUZADOS
Maria do Carmo Schwab e a rede feminina de relações em sua trajetória
Palavras-chave:
arquitetura moderna, historiografia, rede feminina, Maria do Carmo SchwabResumo
A presença feminina no contexto da arquitetura moderna no Brasil é apresentada de forma bastante restrita na bibliografia especializada, cuja narrativa principal destaca, majoritariamente, um determinado grupo de arquitetos e suas produções como centrais na consolidação do moderno brasileiro. Tal abordagem acaba por invisibilizar a participação de outros e novos atores e as particularidades das expressões locais. Compreendendo a necessidade de uma revisão historiográfica, busca-se outras formas de refletir a participação das mulheres no cenário profissional, pensando não somente na esfera individual, mas também a partir de um conjunto de trajetórias, considerando a rede de relações existente em torno dessas personagens. Para tanto, propõe-se uma análise combinada entre a arquiteta capixaba Maria do Carmo Schwab, figura central da discussão, e três outras personagens que cruzam seu caminho profissional e acadêmico – Giuseppina Pirro, Carmen Portinho e Lygia Fernandes. Desse modo, reconhece-se paralelos entre suas trajetórias, indicando vinculações possíveis, bem como a versatilidade e amplitude de suas atuações, ainda em um contexto desfavorável, apontando, mais uma vez, o apagamento dessas figuras. Além disso, tendo como ponto de partida a trajetória da própria arquiteta, sendo ela a indicar os caminhos a serem investigados, possibilita-se o rompimento com a reprodução de análises lineares que identificam padrões principais e suas variações, permitindo novas linhas de pensamento. Vê-se, portanto, a interpretação de uma trajetória a partir da rede feminina de relações ao seu redor como potencial abordagem na revisão historiográfica.
Referências
ADAME, Telmi. Nenhuma a menos: ampliando a história da arquitetura moderna em Salvador (1936-1969). Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2020.
BIERRENBACH, Ana Carolina. El caracol y el lagarto: abstracción y mímesis en la arquitectura de Lina Bo Bardi. Tese (Doutorado em Teoria e História da Arquitetura). Universitat Politècnica de Catalunya, UPC, Barcelona, 2006.
BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. 5 ed. São Paulo: Perspectiva, 2018.
CAIXETA, Eline M. M. P. Uma arquitetura para a cidade: a obra de Affonso Eduardo Reidy. In: Arqtexto (UFRGS), Porto Alegre, v. 2, p. 58-67, 2002.
CAVALCANTI, Lauro. Moderno e Brasileiro. A história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60). Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2006.
COSTA, Júlia M. Mulheres modernas: a ação das arquitetas peregrinas em São Luís-MA. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2022.
ESPINOZA, José C. H. VASCONCELOS, C. D. C. Lygia Fernandes: uma arquiteta modernista. In: 13º Seminário Docomomo Brasil, 2019, Salvador. Anais do 13º Seminário Docomomo_Brasil. Salvador: Instituto de Arquitetos do Brasil. Departamento da Bahia, 2019. v. 1.
FERNANDES, Lygia. Entrevista com a arquiteta Lygia Fernandes. [Entrevista concedida a] Marcos Costa. 10 de maio 2002. Disponível em https://marcosocosta.wordpress.com/2010/12/24/entrevista-com-lygia-fernandes/. Acesso em 05 nov. 2022.
FREIRE, Gyovanna T. Buscando a Giuseppina Pirro: Entre los indicios de una trayectoria plural y su invisibilidad historiográfica. In: Miradas Plurales y Diversas. La mujer en la arquitectura de América Latina en el siglo XX. Quito: CAE-P, 2022, p.134-175. Disponível em: https://issuu.com/caepichincha/docs/publicacion-digital. Acesso em: 05 nov. 2022.
INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL DO ESPÍRITO SANTO. Arquivo IAB-ES. Livro de atas das reuniões do Conselho Diretor realizadas entre 1973 e 1975. p.1-81.
LEMOS, Carlos Alberto C. Arquitetura Brasileira. São Paulo: Melhoramentos: Editora da Universidade de São Paulo, 1979.
MENEGHEL, Julia Pela. A linguagem moderna na arquitetura capixaba. A contribuição de Maria do Carmo Schwab. Monografia (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2018.
MINDLIN, Henrique E. Arquitetura Moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.
MIRANDA, Clara Luiza. A arquitetura moderna brasileira: experiência e expectativa de modernização do Espírito Santo. In: 9 Seminário DOCOMOMO Brasil, 2011, Brasília. 9 Seminário Docomomo Brasil Interdisciplinaridade, experiência em documentação, preservação do patrimônio recente. Brasilia: UnB-FAU, 2011. v. 1.
MONTERO, Rosa. A vida invisível. El País, Madrid, 04 dez. 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/cultura/2020-12-04/a-vida-invisivel.html#:~:text=Porque%20h%C3%A1%20uma%20hist%C3%B3ria%20que,escutando%20os%20sussurros%20das%20mulheres. Acesso em: 05 nov. 2022.
NASCIMENTO, Flávia Brito. Entre a estética e o hábito: o Departamento de Habitação Popular (Rio de Janeiro, 1946-1960). Dissertação (Mestrado em História e Teoria da Arquitetura e do Urbanismo). Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2004.
PEREIRA, Maíra T. As casas de Lina Bo Bardi e os sentidos de habitat. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade de Brasília, Brasília, 2014.
PERROT, Michelle. Escrever uma história das mulheres: relato de uma experiência. Cadernos Pagu, Campinas, n.4, p. 9-28, mar/1995.
POSSIBILIDADES da mulher na arquitetura. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 5 junho 1952, p.7.
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. 2 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.
SEGAWA, Hugo. Vertentes da modernidade no Brasil. In: HUAPAYA ESPINOZA, J. C.; CARVALHO, R. M. (Org.); PESSOA, T. M. (Org.). Docomomo-Brasil: novas formulações no campo da arquitetura e urbanismo. 1. ed. Teresina: Universidade Federal do Piauí, 2019. v. 1. p.21- 28.
SERRANO, Cinthia L. Arquitetura & Gênero: O resgate de pioneiras no cenário profissional. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2013.
SILVA, Fernanda A. F. Onde estão as mulheres arquitetas maceioenses? Um levantamento sobre a produção arquitetônica feminina em Maceió desde a década de 50 até os dias atuais. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2018.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Julia Pela Meneghel

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Docomomo Brasil não se responsabiliza por conceitos e opiniões emitidos por seus autores. A submissão espontânea de qualquer artigo à Revista implica automaticamente na cessão integral dos direitos autorais do artigo ao Docomomo Brasil (Seção Brasileira do Comitê Internacional para a Documentação e Conservação de Edifícios, Sítios e Conjuntos do Movimento Moderno).
Os autores são incentivados a distribuírem livremente os artigos aprovados e criarem links para os artigos em suas páginas pessoais, e repositórios institucionais de divulgação científica, seguindo os critérios do Creative Commons Attribute Licence 3.0, que permite o uso e citação gratuita do trabalho, mediante a clara identificação dos autores e dos dados da publicação.
Os dados pessoais informados ao periódico serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.